A moça com quem cruzei,
Hoje na rua, por acaso,
Talvez e também por acaso,
Mora em uma rua próxima á minha.
A moça que andava tão confiante em seus passos,
(Passos que sabem aonde vão),
Passou e não despercebida, por mim tão menos.
Lindamente vestida, a moça de saia preta,
Nem longa, nem curta;
Nem larga, nem justa;
Com camiseta de algodão branca,
Sem nome ou figura;
Sem filosofia ou abreviatura;
De bolsa a tiracolo.
De sandália ou chinelos?
De relógio ou pulseira?
A moça que andava sozinha,
Usava um arco no cabelo curtinho.
No rosto maquiagem não sei bem se vinha,
Porém, o olhar mostrava o que n’alma tinha.
E n’alma via-se da moça,
Toda á doçura, que a mesma tinha.
Não defino o que escrevo, mas, quem sabe,
Quiçá um dia consiga descrever, fielmente, da moça.
O andar, o sorriso, o aceno, á doçura do olhar...
E ai, sim, um vate, certamente seria,
Pois, poesia mais bela não há.
(Reginaldo Almeida)
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