domingo, 31 de outubro de 2010

AUSÊNCIA


Você, que me inspira a escrever.
Você, que me empurra a leituras.
Você, que me faz ouvir músicas horas a fio.
Você, que me motiva a dançar, a cantar, a gritar...
                                                     [gritar palavrões]
Para não me delatar, pra não te revelar.
Você, que me faz regar os girassóis.
Contemplando o jardim repleto de flores
                                                [de uma só espécie]
Você que me obriga a viver, para não enlouquecer.
                                                     [sai, me deixa]
Tão persistente, encosto pegajoso.
Maldita sejas tu para sempre, tão constante
                                                             [presença]
Você, que me sufoca, que não me permite respirar,
Sem que junto com o ar te inale
Para cada vez, mais e mais me contamine.
Oh! Doença infinda, que eu desejo expurgar
                                                         [de mim]
Como o soro-positivo deseja extirpar seus vírus.
Tal qual minha sobra, não consigo livrar-me
Se, acendo todas as luzes,
Cola em meu corpo como uma segunda pele,
Quando não me invade por todos os poros.
Se, penso em eliminá-la apagando todas as luzes
                                                                [vã ilusão]
Ela agiganta-se e quando consigo perceber
O que está acontecendo, fui engolido
E estou sendo digerido dentro de suas entranhas.

AO MEIO


Saudades de você, do seu jeito de me ouvir
De sua atenção, ao ponto de me pedir para repetir o que havia lhe dito.
Saudades de suas perguntas tão interessadas quanto descabidas,
Do seu sorriso livre de preconceitos,
De seus preconceitos loucos para serem assumidos.
Saudades de sua entrega tão sutil quanto urgente.
De sua sala iluminada a luz de vela e você ao meio...
De uma ligação ás 8h: 30 da madrugada, de passar a noite ao telefone.
Saudades de suas sardas, sua ousadia de sua aflição feminina,
De suas pernas, seu cheiro próprio, suas formas...
Saudades de suas convicções de um tom rubro,
Da mulher que bem sabe ser
Que se realiza em entrega total...
Saudades daquela que cria o cenário que faz da vida um palco
Para viver todos os reais personagens que em si própria encerra
Saudades do “EU” que existe em ti,
Saudades sim,
Saudades.


(Reginaldo Almeida)

AMBOS



Há quem me diga poeta,
Outros me afirmam maldito.
 Há quem me diga bem-vindo,
Uns que dizem jamais.
Há quem me chame:
Amor!
Tem quem me xinguem de:
Cão!
Há quem me queira bem,
E os que me queira bem longe.
Há uns que eu realmente amo!
Outros que fatalmente não.

 (ReginaldoAlmeida)

NOITE


Se estou lá fora, e olho para a lua.
Nesse momento, sinto que você
Esta aqui do meu lado, ao alcance da mão.
Que me escuta, e já percebeu
O que estou contemplando.
Nesse mesmo instante,
Antes da palavra, antes do verbo,
Antes da voz. Sinto a tua presença
E comovo-me, conforto-me, e preencho-me,
E me satisfaço do mundo.
E não preciso de mais nada.


(Reginaldo Almeida)

CONFLITO


Deito-me e não durmo.
Fecho os olhos te procuro,
Viro-me e reviro-me,
Levanto ando pela casa
Não te encontro.
Então volto pra cama...
Continua o conflito, pois
Por mais que eu tente, não durmo.
Abro um livro e da leitura,
Logo desisto.
Ligo a TV em seguida desligo.
É incrível, todos dormem
Eu não consigo!

(Reginaldo Almeida)