quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

TALVEZ SEJAS TU

Não te conheço, oh ser livre
Não te vejo na abolição
Nem tampouco na intervenção,
Ou na queda do regime déspota.
Oh ser livre que cara terás?
Quais serão tuas feições:
De um idoso?
Ou criança sois?
Eu que tanto te persigo,
Não te encontro na riqueza,
Na reforma agrária.
Não te encontro na absolvição
Ou na rebelião,
Não te vejo em protestos
Ou passeatas.
Nem mesmo na paz,
Na religião também não estás.
Nem na negação
Ou na crença.
Sei que deves existir, pois muito se fala em ti.
Por isso não desisto e volta a procurar-te
Numa lágrima que cai,
Num sorriso,
Num olhar.
No amor sim; nem mesmo lá,
No amor não estás.
Livre, então sejas tu
Uma palavra sem tradução.

(Reginaldo Almeida)

AMÉM

Tudo quanto desejei encontrar em alguém.
Sem esforço algum, você se mostrou ser e ter.
E quando lhe vejo passar
Vislumbro a personificação
Do meu mais intimo desejo:
[você.]
A noite se transforma se noite for.
O instante se eterniza e o mais não existe
A solidão não existe.
A dor não existe.
A ausência não existe.
O choro por mais leve que seja também não.
Nem tampouco há angustia.
Não há tristeza.
Saudade não há,
Saudade.

(Reginaldo Almeida)

NENHUM TEMOR

Por que temer ser repetitivo?
Que mal pode haver
Em dizer que: Ti amo!
Mesmo que já tenha dito antes?
Loucura seria dizer: não ti amo!
E tornar a dizer e outra vez repetir.
Como louco não sou...
Volto a repetir,
Sem nenhum temor:
Ti amo, ti amo, ti amo...

(Reginaldo Almeida)