quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

TALVEZ SEJAS TU

Não te conheço, oh ser livre
Não te vejo na abolição
Nem tampouco na intervenção,
Ou na queda do regime déspota.
Oh ser livre que cara terás?
Quais serão tuas feições:
De um idoso?
Ou criança sois?
Eu que tanto te persigo,
Não te encontro na riqueza,
Na reforma agrária.
Não te encontro na absolvição
Ou na rebelião,
Não te vejo em protestos
Ou passeatas.
Nem mesmo na paz,
Na religião também não estás.
Nem na negação
Ou na crença.
Sei que deves existir, pois muito se fala em ti.
Por isso não desisto e volta a procurar-te
Numa lágrima que cai,
Num sorriso,
Num olhar.
No amor sim; nem mesmo lá,
No amor não estás.
Livre, então sejas tu
Uma palavra sem tradução.

(Reginaldo Almeida)

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