domingo, 31 de outubro de 2010

OS OLHOS


Meu olho que tudo crê,
Convence-me das promessas que me fazem:
Do ônibus que virá,
Do cão que não ladra,
Da luz no fim do túnel,
Do sorriso que me dão,
Das lágrimas que rolam na face alheia.
Meu olho que não crê
Duvida das ações e mais ainda das intenções:
Não espera pelo ônibus,
Evita os cães, que ladrão ou não,
Desvia do túnel,
Não acredita em que de tudo rir,
Nem, tampouco, nas lágrimas que caem
De minha própria face.

(Reginaldo Almeida)

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