domingo, 31 de outubro de 2010

AUSÊNCIA


Você, que me inspira a escrever.
Você, que me empurra a leituras.
Você, que me faz ouvir músicas horas a fio.
Você, que me motiva a dançar, a cantar, a gritar...
                                                     [gritar palavrões]
Para não me delatar, pra não te revelar.
Você, que me faz regar os girassóis.
Contemplando o jardim repleto de flores
                                                [de uma só espécie]
Você que me obriga a viver, para não enlouquecer.
                                                     [sai, me deixa]
Tão persistente, encosto pegajoso.
Maldita sejas tu para sempre, tão constante
                                                             [presença]
Você, que me sufoca, que não me permite respirar,
Sem que junto com o ar te inale
Para cada vez, mais e mais me contamine.
Oh! Doença infinda, que eu desejo expurgar
                                                         [de mim]
Como o soro-positivo deseja extirpar seus vírus.
Tal qual minha sobra, não consigo livrar-me
Se, acendo todas as luzes,
Cola em meu corpo como uma segunda pele,
Quando não me invade por todos os poros.
Se, penso em eliminá-la apagando todas as luzes
                                                                [vã ilusão]
Ela agiganta-se e quando consigo perceber
O que está acontecendo, fui engolido
E estou sendo digerido dentro de suas entranhas.

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