terça-feira, 2 de novembro de 2010

LÁPIS NEGRO


Nos detalhes minuciosos revela-se certa insegurança,
O cabelo é constantemente umedecido
Para conter a rebeldia de alguns fios.
Nos olhos um lápis negro a dar um tom draconiano,
Talvez para sugerir certo distanciamento,
Contudo o mesmo olhar é muito sugestivo
Que não raramente revela um grito de socorro
De uma menina assustada.
A boca é expressiva, carnuda, excitante
Que constantemente desenha um lindo sorriso.
A voz é suave, as frases são reticentes,
Monossilábicas na maioria das vezes,
Acredita que o sexo a libertará
E que será o lenitivo perfeito
Para afugentar sua dor,
Mas teme e esse temor a paralisa...
Tenta se esconder dos demais
Por não ter despertado no tal o mesmo
Desejo que desencadeia
Nos outros que a rodeiam


(Reginaldo Almeida)

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